quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Cena 09 - Valdo duela com o Sábio Mutt. Quem vence?

SÁBIO MUTT - ( de fora ) IRIS, QUEM ESTÁ COM VOCÊ?

IRIS - É UM JOVEM QUE TRABALHA NA CAVERNA. VEIO PERGUNTAR SE QUERO PASSEAR COM ELE.

VALDO - Desculpe, mas não é isso. EU QUERIA SABER...

IRIS - NÃO LIGA PARA O QUE ELE DIZ, TIO. ELE É MUITO FALANTE...

VALDO – Mas eu quero saber mais sobre a imagem e a superfície...

SÁBIO MUTT - (entrando) Quantas vezes preciso dizer que não quero você andando por aí acompanhada ? E esse, ainda por cima, é muito jovem !

VALDO - Como sabe que sou jovem ? Você está me olhando !

SÁBIO MUTT - Eu posso olhar. Sou cego, olho e não vejo.

VALDO – Então não dá para saber que sou jovem...

SÁBIO MUTT - Eu escuto muito bem. E essa voz é de alguém muito jovem.

IRIS – Valdo, você já não estava indo embora? Vamos, despeça do meu tio...

VALDO – Estava indo ? Mas eu não sabia...

SÁBIO MUTT - Espera, não vá ainda. Creio que você tem perguntas a fazer.

IRIS - Não tem não. As perguntas dele são ridículas para serem respondidas por um sábio.

VALDO - Iris, deixa eu fazer só uma pergunta ?

SÁBIO MUTT - Pode fazer mais de uma...

IRIS - Veja bem o que vai perguntar. Não esqueça o nosso trato...

VALDO – Nosso trato ? Eu não sabia que havia um trato...

IRIS – Fizemos um trato, não se esqueça !

VALDO - Por que o senhor é chamado de Sábio ?

SÁBIO MUTT - Boa pergunta! Sou Sábio porque respeito as regras, a Lei !

VALDO - Mas eu também respeito e ninguém diz que sou Sábio ?

SÁBIO MUTT - (cantando em forma de rap)

sei tudo sobre a lei e as regras.
por essa razão ou posso aceitá-las
ou posso provar que estão erradas !
porém como sábio prefiro
esquecer o que sei e cumprir a lei. não preciso
ver nada novo. quero seguir a lei e as regras antigas.


é mais seguro para mim ! é mais confortável para vocês !
olhar o olhar de outro é fatal !
se for apenas para o sentir o desejo
de se beijar é bobagem !bobagem !

VALDO – (cantando em forma de rap)

Beijo ? O que é beijo ? Desejo ? O que é desejo ?

SÁBIO MUTT - (cantando em forma de rap)

se o beijo acontece vem o vírus e com a ele a má sorte !

VALDO – (cantando em forma de rap)

Vírus ? A sorte ? O que é tudo isso ? Beijo, Desejo, Vírus, Sorte ?

SÁBIO MUTT - (cantando em forma de rap)

Ninguém quer e nem vai ter má sorte ! A morte !
Ninguém vai ter má sorte e nem quer ! A morte !

VALDO - E é por isso que é Sábio ? Por medo da morte ? Então vou lhe falar o que sinto! Não me importa se é o Sábio, o Cego ou o Tio !

IRIS – Calma! Não ponha tudo a perder com sua pressa !

SÁBIO MUTT - Iris, quieta! Nada que ele disser vai modificar meu pensamento !

VALDO - Para mim, senhor MUTT, um sábio de verdade quer conhecer o que é novo. Não o que é velho ! O que é novo nasce. O que é velho morre !

SÁBIO MUTT - Tanto drama apenas para dizer isso ?

IRIS - VALDO, a gente não ia passear ?

VALDO – Ia ? Que bom ! Mas eu não sabia...Depois a gente vai então...Tem mais, senhor MUTT.

SÁBIO MUTT - Que é isso ? Por que aproxima sua mão de mim ? Vai me bater ? Tente !

VALDO - Não bato pois não vejo seu rosto. Mas o senhor "ouviu" a minha mão ? Ser cego para não ver é um medo confortável. Mas o senhor vê de verdade mas...finge...

SÁBIO MUTT - Não me ofenda ! Seus sentimentos nada valem.

VALDO - E quanto a Iris...

IRIS - Por favor não fale de mim !

SÁBIO MUTT - O que tem minha sobrinha ?

VALDO - Ela nem deve ser sua sobrinha !

SÁBIO MUTT - E por que ?

VALDO - Porque ela não é falsa como você !

IRIS - Pare com isso. É verdade, eu não sou sobrinha legítima mas sou protegida pelo senhor
MUTT e aprendo muito com ele.

VALDO - Enquanto estiver com ele corre o risco de aprender a ser uma pessoa falsa...

SÁBIO MUTT – Falsa , falso ! E de que adianta ser integro ? Cresça, rapaz, cresça e seja inteligente. Por que tentar mudar as regras. Somos felizes com elas.

VALDO - Não sou feliz, vivo sufocado por não entender

SÁBIO MUTT - E não sou eu quem vai lhe explicar ! Suma da minha frente. E você fique longe dele !

IRIS - Senhor MUTT sinto muito, eu vou sair com ele ! Valdo, me espere lá fora. Vou apanhar uma coisa, você sabe o que é ...E já saio.

VALDO – Sei ? Não sabia que sabia...que estranho ... (VALDO sai)

SÁBIO MUTT - Não vai sair com ele ! Se sair não entra mais nesta casa ! Ele é mais um rapaz para a sua turma, não é ? Preciso falar disso com a Supervisora Leda.(sai)

Cena 08 - Valdo encontra Iris.

ACIMA DA CAVERNA A ANTE SALA DO ESCRITÓRIO DO SÁBIO MUTT

IRIS - (cantando em forma de rap)

quando eu conhecer alguém corajoso...alguém mais inteligente do que eu ...
que vai me levar longe destas rotinas! desta mesmice de todos os dias !
vou querer uma vida a dois, como nunca casal algum viveu !
com meu parceiro desta aventura . mas este cúmplice não surgiu ainda !

SÁBIO MUTT - (de fora ) IRIS, VEJA QUEM É ?

IRIS – JÁ ESTOU INDO SENHOR MUTT. DEIXA COMIGO! QUEM ESTÁ AÍ ? O QUE DESEJA ?

VALDO - (de fora) O Sábio Mutt mora aqui ?

IRIS - O que?

VALDO - Preciso falar com ele. É urgente!

IRIS – NÃO ESCUTO, FALE MAIS ALTO !

VALDO – Não posso. Não quero que ninguém me ouça !

IRIS – SE NÃO ESCUTO VOCE NÃO ENTRA !

VALDO - É confidencial, não posso explicar para outra pessoa...

IRIS – Se não disser quem é não entra ! Não adianta ficar cochichando...

VALDO – O QUE VOCE DISSE ?

IRIS – PERCEBEU COMO NÃO DÁ PARA ESCUTAR ?

VALDO - SOU VALDO WILL, TRABALHO NA CAVERNA...QUERO PERGUNTAR PARA O SÁBIO MUTT SOBRE O OBJETO QUE ENCONTREI.

IRIS - Um objeto ? Minha intuição diz que preciso ver esse objeto. VÁ ENTRANDO!

VALDO – Onde está ele ?

IRIS – Eu que pergunto: Cadê ele ?

VALDO - Cadê o que?

IRIS - O objeto, o que mais poderia ser?

VALDO - Vou mostrar só para o Sábio Mutt. Nem sei quem é você...

IRIS - Não está vendo que sou a sobrinha dele, a Iris ? Você não pode ver, Desculpe...

VALDO – Não posso ? Claro que posso...Claro que não posso ! ... Não, posso sim ! Mas, sabe, eu posso e não posso...

IRIS - Pode ou não pode me ver ? Eu posso...se quiser! E você nem precisa ficar na minha frente...

VALDO - Eu posso também....mas só se você não me denunciar...

IRIS - Mas você pode me denunciar também!

VALDO - Espera aí, você disse que se eu não ficar na sua frente, mesmo assim você pode me ver ?

IRIS - Eu estou vendo você nesse instante...

VALDO - Você está me espiando com o canto do olho!

IRIS - Então você está me espiando também!

VALDO - Você é bem esperta. Será que a Lei permite esse modo de olhar?

IRIS - Não permite. Mas se você não me denunciar....

VALDO - Não denuncio não!

IRIS - Eu também não ! E o objeto ? Você vai confiar em mim ? Agora somos cúmplices...

VALDO - Vou mostrar apenas para o Sábio Mutt, já falei!

IRIS - Mas fui eu quem examinei todos os objetos da caverna. Meu tio é cego...

VALDO - Mas eu tenho perguntas a fazer. Você não tem as respostas...

IRIS - Claro que tenho. Mais do que o meu tio. Além disso sou uma cientista.

VALDO - Mas você é muito jovem.

IRIS - Sou jovem e sou bonita. Não sou?

VALDO - Você é bonita mesmo espiando só com o rabo do olho...e tem os cabelos penteados ! Como consegue se pentear ?

IRIS - Porque eu me vejo.

VALDO – Ah! Você está caçoando de mim. Não é possível você se ver !

IRIS – Mas eu tenho uma superfície reflexiva pequena. Você quer se ver?

VALDO – A superfície perdida ! Uma superfície que reflete seu rosto ? Você roubou...

IRIS - Sabe? Havia um rolo com uma imagem de moça sorrindo e atrás...

VALDO - a jovem que sorri ! Então aquilo era sorrir ! Ai, não deveria ter falado...

IRIS - Então você viu a imagem da moça ? E está escondendo aí atrás...

VALDO – Estou escondendo ? Ah! Essa aqui ? Mas não entendo o que este rolo tem a ver com a superfície reflexiva que você roubou...

IRIS - Seu espertinho ! Eu não roubei. Apenas emprestei. Mas a imagem foi rasgada...

VALDO - Os meninos da escola rasgaram...Só sobrou esse pedaço.

IRIS - Eles viram também? Você está mostrando para todo mundo ?

VALDO – É claro que não ! Mostrei apenas para a minha matriz e professora mas os alunos pegaram, olharam e rasgaram. Todos queriam ver ao mesmo tempo...foi um acidente.

IRIS - Por favor, não mostre e não fale a mais ninguém. Combinado ? Agora, veja aqui atrás.

VALDO - Tem uns escritos que não entendo....

IRIS - Essa é a fórmula para se fazer superfície reflexiva.

VALDO – Então dá para fazer a tal da superfície reflexiva ?

IRIS – Quieto !

Cena 07 - Confronto que não se finaliza...

LEDA – ( entrando com o Oficial) Valdo, o que você está fazendo aqui? Que barulho é esse? Professora Vera, o que está acontecendo com seus alunos? Essa gritaria...Oficial , vá lá fora e veja o que está acontecendo!

OFICIAL – ( de fora ) SUPERVISORA, VÁ ATÉ A JANELA RÁPIDO! RÁPIDO!

LEDA - O QUE É ISSO? AS CRIANÇAS ESTÃO SE OLHANDO! OFICIAL , CUIDE DISSO JÁ!

VERA - Eu posso explicar, por favor, supervisora, tenha calma!

LEDA - Calma, como posso ter calma? Você vai ter que explicar os seus atos, Professora! Você será punida!

VALDO - Ela não teve culpa. Eu fui responsável, Supervisora!

LEDA - Você também será punido! Sem dúvida! Eu vim aqui por causa de você! E o que descubro? Esse caos todo que você deve estar provocando ! E com a sua ajuda, Professora!

VALDO - Foi por causa de uma imagem....

LEDA - Eu sei muito bem que imagem é essa! Você pensou que ia me enganar? Roubou a imagem, não é? De uma jovem, do rosto dela, não é? Imbecil! E a superfície reflexiva, onde está?
FALE!

VALDO - Perdoa, Supervisora, perdoa, não sei nada de superfície mas o rolo eu ia devolver....

VERA – VALDO ! NADA DISSO ! Depois de tudo o que você já fez...

VALDO - Perdoa, vai, eu ia mas agora não posso mais devolver...

LEDA – Não pode devolver por que ?

VALDO – As crianças rasgaram a imagem. Não sobrou nada....

LEDA – Professora, como você deixou isso acontecer! Professora! Você está olhando o rosto dele! Pare!

VERA - Não se humilhe, Valdo, vá em frente! Vá descobrir o que a sua curiosidade....

LEDA - (afastando ela dele) PARE COM ISSO ! VERA! EU ORDENO!

VERA - Anda logo, vá atrás da pessoa mais velha que encontrar! FUJA !

OFICIAL - (entrando) Supervisora! O que está acontecendo?

LEDA – Segura ele, rápido!

OFICIAL - Tentando fugir, mas não adianta! Pronto Supervisora, este não escapa!

VERA – LARGUE DE MIM, SUA BRUTA E VOCE SONIA LARGUE DO MEU FILHO! VAMOS! OLHE PARA MIM! DE FRENTE! DO QUE NÓS TODOS TEMOS TANTO MEDO?

OFICIAL – PARE DE ME OLHAR ! SUPERVISORA, SOCORRO! PRECISO FECHAR OS OLHOS!

LEDA – Seu filho ? Quer dizer que você é a geratriz de Valdo ?

VERA – Isso mesmo, feche os olhos para não ver meu rosto. Aproveite, fuja! E VOCE TAMBÉM SUPERVISORA! OLHE PARA MEU ROSTO AGORA!

LEDA – TOME SUA MATRIZ DE UM IDIOTA ! O QUE VOCE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? POR QUE ESTÁ PROTEGENDO ESSE IMBECÍL ? VAMOS, NÃO FIQUE AÍ CALADA NO CHÃO. VAMOS FALE!

VERA - Agora não adianta falar mais ...

LEDA - Vamos atrás dele, Oficial . E peça reforços para conter a professora e os alunos. (saem)

Cena 06 - Professora e matriz, alunos e filho!



NO OUTRO LADO DA CAVERNA A SALA DE AULA

VALDO - Professora Vera, por favor, pare de escrever. Precisamos conversar.

VERA - Quando você era meu aluno não me procurava tanto como agora. Queria resolver tudo sozinho! Está bem, sente-se aí atrás de minha mesa.

VALDO – Preciso de sua ajuda.. Estou em uma encrenca danada!

VERA – Então conta. Você já me interrompeu mesmo...Por que está me mostrando esse rolo ?

VALDO - Esse rolo é a encrenca! Estava arrolado nos achados da caverna...

VERA - Eu li a respeito. Os achados do século 21. E porque você está com ele ?

VALDO - Não resisti e levei comigo...

VERA - Isso é grave, Valdo! E agora como vai ser? Espera deixa eu fechar a porta. Por que você foi fazer isso ? Você continua uma criança, não amadurece !

VALDO - Mas é uma imagem de uma jovem...

VERA - E daí, o que tem isso? Espera mais um pouco, deixa eu falar com a criançada aqui pela janela. MENINOS, MENINAS , CHEGA DE BARULHO! NÃO CONSIGO NEM CONVERSAR!
VAMOS LÁ, ESTENDAM AS MÃOS NOS OMBROS DOS COLEGAS! VAMOS LOGO! BRINQUEM DE TREM, MÁQUINA VAI CANTANDO, VAGÕES VÃO REPETINDO, VAMOS LÁ, MÁQUINA –

“QUEIXO PARA CIMA, VOCÊ FALA “,

( vozes de crianças cantando lá fora ) – QUEIXO PARA CIMA, VOCÊ FALA!

VERA – AGORA OS VAGÕES –

QUEIXO PARA BAIXO, EU ESCUTO “!
( vozes de crianças cantando lá fora ) – QUEIXO PARA BAIXO, EU ESCUTO!

VERA – ISSO MESMO CRIANÇAS! VAMOS CONTIUEM ! MAS SEM BAGUNÇA, EM ORDEM !

( vozes de crianças cantando lá fora ) – QUEIXO PARA CIMA, VOCÊ FALA!
QUEIXO PARA BAIXO, EU ESCUTO

( vozes de crianças cantando lá fora ) – QUEIXO PARA CIMA, VOCÊ FALA!
QUEIXO PARA BAIXO, EU ESCUTO

( vozes de crianças cantando lá fora ) – QUEIXO PARA CIMA, VOCÊ FALA!
QUEIXO PARA BAIXO, EU ESCUTO

( vozes de crianças cantando lá fora ) – QUEIXO PARA CIMA, VOCÊ FALA!
QUEIXO PARA BAIXO, EU ESCUTO

VALDO – Professora, esta é uma imagem de uma jovem com os lábios entreabertos.
tos, os dentes aparecendo...

VERA - Os lábios...Então é uma imagem do rosto dela! Ai, Valdo, como você olhou o rosto dela? Você sabe que isso é pior do que roubar? È muito mais grave!

VALDO - Olhe você mesma, Professora. Veja e me explique o que significa! Você é professora, entende das coisas!

VERA - Não, não vou olhar ! Não quero ver rosto nenhum!

VALDO - Por favor, Professora, não agüento mais! Preciso saber o por que! Minha cabeça está cheia de perguntas sem resposta. É um tormento....

VERA - Não vou ver e pronto! Este rolo fica aqui na janela até encontrarmos uma forma de devolver.

VALDO - Mas Professora por que devolver? Sabe de uma coisa ? Quantas vezes, sentado ali na sala de aula, olhando as nucas dos meus colegas, eu sentia o seu olhar atrás de nós, na minha própria nuca, como se fosse uma faca, abrindo meu cérebro, uma chama queimando, uma luz...

VERA - Para com isso! Eu não podia olhar os rostos de vocês. Você sabe disso! Tem a lei! Você pensa que eu não sofria também? Como eu poderia saber se vocês estavam entendendo sem olhar o rostinho de cada um? Mas eu não podia, entende?

VALDO - Por que não podia? Por que ninguém de nós pode? Por que a moça da imagem no século 21 podia e nós não? Por que você não pode agora?

VERA - Agora? Como agora?

VALDO – É isso mesmo, agora !

VERA - O que você quer dizer com isso? Pare de me abraçar ! Chega dessas idéias malucas! Por que fui ser a sua geratriz !

VALDO – Você foi minha geratriz ? Minha geratriz ! Ai, ai, ai!

VERA – Valdo, você está chorando, sinto suas lágrimas, estão me molhando, que sentimentos filiais lindos !

VALDO – Não é por sentimentos filiais não !

VERA – Então por que é ?

VALDO – Porque você está pisando no meu pé ! ai, ai...

VERA – Desculpe, foi sem querer. Também você fica me agarrando...Me larga!

VALDO – Não largo não. E sabe por que ? Se você foi minha geratriz é mais um motivo para me ajudar! Veja! Não é difícil! Estou virando seu rosto para mim...Ai ! Não precisava bater tão forte...

VERA - Para com isso! Me larga! Por que fui àquele banco de esperma buscar você! Ah! E esses alunos, voltaram a gritar! Veja, Valdo, veja. O rolo !

VALDO - As crianças, as crianças! Elas pegaram o rolo !

VERA – ( saindo ) CRIANÇAS ! PAREM! ESPEREM QUE ESTOU INDO!
POR QUE ESTÃO FAZENDO ISSO ?
( de fora )

VAMOS JÁ PARAR COM ESSA BRINCADEIRA ESTÚPIDA !
NÃO ESTRAGUEM ESSE ROLO !

VALDO - O que eu fiz? Idiota, o que você fez? As crianças estão com o rolo! MINHA MATRIZ , TIRA DELAS! ANDA LOGO! ELAS ESTÃO OLHANDO A IMAGEM! AS CRIANÇAS ESTÃO SE OLHANDO! PROFESSORA VERA, NÃO PERMITA ISSO!

VERA - (voz vindo de fora) PAREM COM ISSO! ME ENTREGUEM O ROLO! VAMOS! ME DÊ LOGO ISSO! PAREM DE SE OLHAR! VAMOS UM OLHANDO A NUCA DO OUTRO! ME DÁ ISSO, MENINO!

VALDO - NÃO SE OLHEM CRIANÇAS! OLHA A LEI! O CASTIGO! NÃO SE OLHEM! ( cantando em forma de rap)

As crianças estão vendo os rostos um do outro.
Estão abrindo a boca, um para o outro,
mostrando os dentes! Elas parecem contentes
em seu olhar! Estão copiando a imagem !

VERA – ( voz de fora ) PAREM! PAREM COM ISSO! VOCES ESTÃO RASGANDO A IMAGEM! VAMOS! PAREM DE SE OLHAR! NÃO PODEM FAZER ISSO!

VALDO - O que eu fiz? As crianças serão punidas! Mas por que elas insistem em se olhar?

VERA – (entrando ) Valdo, idiota! veja o que você fez com as crianças. Elas estão lá agora desrespeitando a le1! Se olhando! seu canalha! Aqui está o pedaço que sobrou do rolo !

VALDO – Vera. Vera, você está me olhando! Mas olhe as crianças....

VERA – Estou ficando tonta...tonta...Agora não adianta mais nada! Seremos todos punidos!

VALDO - As crianças estão se olhando e estão gostando, GOSTANDO! VEJA!

VERA - Não! Não quero olhar! Tanto tempo ensinando a não fazer isso! Você destruiu tudo em um segundo, Canalha! Veja o caos que você está criando! Ai, estou tão cansada...me apoie meu infeliz...vamos esquecer tudo isso..

VALDO – Matriz, minha matriz, não posso parar agora! Preciso descobrir mais! Não adianta parar agora, tentar esquecer que isso tudo aconteceu!

VERA – Então saia de perto de mim! Tenho nojo de você ! Como teve coragem de fazer isso?

VALDO - Me ajude! Me indique... Quem sabe alguma coisa?

VERA - Nunca!, NUNCA MAIS ME PROCURE! Como você ousa pensar que vou ajudar? AJUDAR VOCE A DESTRUIR MAIS PESSOAS? Esconde esse pedaço do rolo que sobrou.

VALDO – Por que esconder ?

VERA – Vem vindo gente , vamos , anda logo com isso!

sábado, 18 de agosto de 2007

Cena 05 - No quarto Valdo e Leda, sexo sem amor !

LEDA – ( grita de fóra do quarto ) VALDO, ESTÁ ESCURO AQUI. VAMOS LOGO, TENHO POUCO TEMPO! POR QUE DEMORA TANTO ?

VALDO – ( acorda assustado) Nossa! Dormi com o rolo. Será que está amassado!
PARE DE GRITAR, LEDA ! VAI ASSUSTAR TODO MUNDO!
e você fica enroladinha aí embaixo da cama, viu?
JÁ ESTOU ACENDENDO A LUZ!
Seja bem vinda, minha Supervisora...

LEDA – Esse macacão aperta demais. Não via a hora de tirar e fica assim como você . Vamos, vamos logo, VALDO. Preciso me relaxar com sexo para me concentrar nas encrencas dos achados históricos desaparecidos.

VALDO – Tem achado perdido, Supervisora ?

LEDA – Achado perdido ! Só você para falar assim...Pronto estou nua como você gosta. Veja como minhas costas são macias....Ai, que mãos suaves são as suas...Mas antes vamos conversar sobre os achados perdidos. Tem um que desapareceu da caixa. Sabe ? Aquela que você quebrou.
VALDO – Esqueça esses malditos objetos. Vamos logo senão meu tesão diminui...

LEDA – Diminui? Por que isso agora? Está tendo outro relacionamento ?

VALDO - Não. Não é isso. É esse negócio de cumprir ordens...

LEDA - VALDO, você está me escondendo alguma coisa....

VALDO - Que é isso, Leda, eu nunca escondo nada de você! NADA !

LEDA – Isso vamos descobrir logo, seu desastrado. Mas, antes, como no sexo pelo menos você é competente...

VALDO – Sabe como posso ser ainda mais competente? Se puder olhar você de frente, Leda. Duvida ? Então, posso ?

LEDA – Está louco! O que fazemos já é proibido, imagine dessa forma. Você me irrita, sabe?

VALDO - Mas vou fazer assim com quem então?

LEDA - Vá fazer com quem quiser...faça com sua amiga professora...

VALDO - Está com ciúme da Professora Vera ?

LEDA - Ciúme? A hora que eu quero eu assobio e você vem correndo! CHEGA DE FALAR ! Senão acaba o meu tesão e ai de você se isso acontecer...

VALDO - Quer saber de uma coisa? Vou olhar seu rosto agora!

LEDA - Nada disso, está ficando louco?

VALDO - Se você não me explicar por que, hoje não tem sexo! Certo?

LEDA - Não tem sexo? Que conversa é essa. E isso aqui ? Se não é tesão, o que é ? Só se for objeto roubado...que você está escondendo !

VALDO – Isto não é roubado ! É meu mesmo !

LEDA – Percebe ? Você não tem escolha, seu corpo me quer...Mas se você não quiser, tudo bem....vamos falar sobre os achados perdidos!

VALDO – Agora não, Leda. Posso Apagar a luz ? No escuro é melhor.

LEDA – Apague logo!
(cantando em forma de rap)

Agora venha aqui, muito bom...agora devagar.
Vamos. Assim... assim agora mais rápido...
Quem sabe qualquer hora eu deixo você
ver meus lábios ..quem sabe?

VALDO - (cantando em forma de rap)

Deixa mesmo? Faço qualquer coisa!
O que você quiser... Deixa, vai! Agora!


LEDA – (cantando em forma de rap)

Claro que não, idiota! Esqueceu como a Lei
pune os humanos? Agora quem está punindo você
sou eu...e aqui...eu sou...a lei! A LEI !
Ai, isso sempre me deixa tonta ... tonta...

VALDO – (cantando em forma de rap)

Você é a Lei , a Lei mais gostosa que conheço...
você é a Lei, a Lei!!! A maldita Lei
que não compreendo! Mas seus lábios,
queria seus lábios...Também fico tonto
mas também muito cansado, deixa eu
descansar...depois posso ao menos
tocar seus lábios com meus dedos ? posso ?...
tocar seus lábios com meus dedos ? posso ?...
tocar seus lábios com meus dedos ? posso ?...

LEDA – (cantando em forma de rap)

Tocar meus lábios ! Pode ... Pode sim...
Mas por que não toca neles então, cretino ?

Ah! Dormiu...como esses machos são uns fracos...eu queria mais...Onde foi parar o macacão ?....Preciso ascender a luz. Aqui está. Vamos enfiar esse macacão de novo.. Ei o que é isso embaixo da cama ? Aqui está o rolo! O rolo com a imagem! Não vou precisar torturar você , Valdo ! Será que você está querendo sexo com essa imagem ?
(cantando em forma de rap)

Esses dentes, esses lábios atraem meus dedos...
Mas sou mais forte que você
e não vou ficar olhando você, sua imagem lasciva.

Ah! esse Valdo vai se ver comigo! Vai sentir o que é a Lei!
Mas e a superfície reflexiva? Onde está?

VALDO – (cantando em forma de rap)

Você é a Lei , a Lei mais gostosa que conheço...
você é a Lei, a Lei!!! A maldita Lei

LEDA – Já está acordando ? Preciso voltar com a Oficial Sônia para resolver isso. A prova vai ficar bem quardada aqui embaixo da cama.

( LEDA sai )

Cena 04 - Surpresa!!! a oficial Sonia!


OPERADOR – Que susto. Pensei que fosse arrancar a câmara de mim. Vocês me desculpem mas é melhor eu ir andando...

REPORTER DOIS– Por que ? Vai perder a surpresa. E se for alguma coisa para você gravar?

OPERADOR – Mas pode ser também que ela queira ainda pisar na minha câmara. Não posso correr esse risco.

REPORTER UM – Depois nós vamos entrevistar o sábio Mutt. Espere por nós lá.

OPERADOR – Pode ter certeza que estarei lá bem antes dos Senhores (sai)

REPORTER UM – Amigo Pós Cirúrgico! Que rolo é esse que falta ? Quero dizer, bolo ?

PÓS-CIRÚRGICO – Desculpe Senhor. Apenas a Supervisora pode falar sobre o rolo, quer dizer o bolo.

REPORTER DOIS– Será que ela vai dar uma festa para comemorar a os achados, com bolo e tudo ? Mas assim todo mundo vai ficar sabendo !

PÓS-CIRÚRGICO – Não posso falar nada sobre a festa sem ordens da Supervisora!

REPORTER DOIS– Mas que mal pode fazer falar de um bolo e de uma festa ?

PÓS-CIRÚRGICO – Senhor, posso ser punido se falar mais sobre esse assunto.

REPORTER UM – Você já foi punido com a cirurgia. Nada mais pode lhe acontecer. Vamos lá conte para a gente ...

LEDA – ( entra junto com a OFICIAL ) – Aqui está a minha surpresa para vocês ! a Oficial Sônia !

REPORTER UM – Sem dúvida é uma bela surpresa !

PÓS-CIRÚRGICO – Supervisora, a terceira pessoa não esta aqui.

REPORTER DOIS– Precisou sair para outro compromisso. Prazer em conhecê-la.

REPORTER UM – Suas costas são lindas pessoalmente, Oficial Sônia. Muito prazer !

OFICIAL – O meu prazer será muito maior, senhores jornalistas.

LEDA – Será com o maior prazer que a Sônia irá detê-los !

REPORTER UM – Nos deter ? Mas estamos apenas elogiando a beleza da Oficial ! Não é motivo para a detenção!

OFICIAL – Vocês viram os achados e poderão falar sobre eles! Vamos, de costas e mãos na nuca !

REPORTER DOIS– (cantando em forma de rap)

Mas precisamos falar desses objetos! Por isso somos jornalistas. É melhor
não nos determos senão iremos denunciá-los !

REPORTER UM – (cantando em forma de rap)

Nós temos as imagens em vídeo. Não adianta nos deter!
As imagens a verdade vão refletir !


LEDA – Vocês não têm a mínima chance...

PÓS-CIRÚRGICO – Supervisora ! É verdade, o rapaz levou a câmara embora.

OFICIAL – Não se preocupe com o rapaz da câmara, Supervisora. Depois de uma conversa com estes dois vou saber onde ele e a câmara estão. Vamos andando!

REPORTER UM – Ai ! (cantando em forma de rap)

Já lhe falei que a beleza dói, colega?
Mas, colega, a dor não é uma beleza !


Ai. Ai ! Calma. Estamos saindo! ( saem )

LEDA – Vamos, conte o que houve com o bolo

PÓS-CIRÚRGICO – O B – O – L – O ? Os jornalistas pensaram que ia haver uma festa...

LEDA - O ROLO, IMBECIL !.Se for aquele com o rosto da pioneira vai ser uma grande encrenca !

PÓS-CIRÚRGICO – Ele mesmo, Supervisora. Mas não foi a mesma coisa que aconteceu com a pequena superfície reflexiva.

LEDA – Então o rolo desapareceu quando você estava aqui ?

PÓS-CIRÚRGICO – O Valdo também estava. Já a pequena superfície desapareceu antes de chegar aqui. Foi diferente...

LEDA – Ah ! o Valdo. Estava esquecendo meu compromisso com ele. E agora esse compromisso ficou mais sério ! ( sai )

Cena 03 - Valdo no quarto com o enigma !

EM OUTRO CANTO DA CAVERNA COMO SE FOSSE O QUARTO DE VALDO

VALDO – (cantando em forma de rap)

Dormir só um pouquinho ... Ou então o relógio parar !
Ainda por cima demorarei a pegar no sono.

Ver o rolo me deixou muito tenso.
Mas, deixa eu ver mais uma vez a imagem.
Nem consigo descansar mesmo.
Só penso nela. Acho que estou apaixonado pela imagem.
Aqui está mais claro. Segurando assim posso
acariciar seus lábios
como eu faço com os meus
.

O que tem aqui atrás...
Uma data ...2012, 2012. ... Espera, tem uns escritos...
pode ser que expliquem por que esses lábios estão abertos...
o que será que significava isso duzentos anos atrás?
Os dentes aparecendo, brancos...são muito brancos.
Não entendo esses escritos. Ei, moça, o que significa isso?
Sou um idiota! Como posso falar com uma imagem
e como uma imagem vai falar comigo !

E se vem gente? ...apagar a luz, rápido! Deitar, ficar quieto...
Deixa eu sonhar com essa imagem...