sábado, 15 de setembro de 2007

Cena 13 - Uma vertigem estou me sentindo tonta!

IRIS e VALDO – (cantando em forma de rap)

uma vertigem estou me sentindo tonta!
preciso me amparar em seus braços!
estou me sentindo tonto.
vou abraçar você para não cair!

estamos tontos mas é tão bom!
porque seus olhos são lindos!
porque sua boca é linda, moça!
meu rapaz, sua boca está muito perto da minha.
não sei se vou resistir! nem quero eu .

nem eu quero. dói meu pescoço.
também dói o meu.
maior que a dor é essa alegria
que junta nossos lábios.


KIAN - Alguém faça alguma coisa! Eles estão muito calados !

KAIO - Os corpos dos dois estão grudados!

ABELARDO – Deixa assim. Precisamos ver no que vai dar! Kaio, o que você está vendo aí pela objetiva ?

KAIO – Sou o primeiro Operador a ver dois beiços se unindo...

JUVENAL – Kaio, você está gravando tudo ?

KAIO – Claro que estou. Se não gravar essa coisa extraordinária quem vai acreditar depois que isso está acontecendo !

IRIS – Meu coração bate tão forte! Parece que seus lábios estavam sugando ele. Valdo, você está bem. ? Você não fala nada ?

VALDO – Deixa eu recuperar o fôlego.

KAIO - Vejo o rosto dos dois pela objetiva...estão mais vermelhos do que o tacho da fusão para preparar a superfície...

IRIS – Pessoal! Foi maravilhoso ! Senti muito medo quando ele ficou mudo...

VALDO – Fiquei mudo por que nunca havia sentido o hálito de alguém dentro de minha boca !

IRIS – Além do hálito, a língua dele ficou roçando na minha, misturando saliva...

KIAN – Ai, que nojo ! Ainda bem que não tenho de fazer isso...

VALDO – Tive uma idéia! Vamos nos dar a mão todos! Kian, pare de fazer a fusão. Venha cá.

IRIS – Isso mesmo! Todos de mãos dadas. Assim a tontura fica mais fácil de suportar!

ABELARDO – Agora ? Não é melhor fazer mais tarde ?

JUVENAL – Tem que ser agora ! Eu também quero experimentar olhar o olhar de vocês !

ABELARDO – Mas Juvenal, funcionou para eles dois. Será que vai dar certo para todos nós ?

IRIS – Deixem de serem medrosos ! Vamos todos nós nos olhar e já ! Venham aqui ! Vamos fazer uma roda! Todos se dando a mão !

KAIO – Eu não vou sair daqui.

IRIS – Mas por que ? Sabe o que vamos fazer ? Vamos nos olhar todos, rostos nos rostos.

KAIO – Por isso mesmo não vou participar disso. Quero ficar de fora para gravar tudo ! Quero ver todos esse beiços se aproximando e se colando...

KIAN – O que você chama de beiços ?

KAIO – Chamo os lábios de beiços. Talvez porque lembre a palavra beijo...

JUVENAL – O que é beijo ?

KAIO – Você e a Iris acabaram de fazerem isso: quando os beiços se juntam...está escrito na Bíblia...

IRIS – Então você viu esse livro na caverna, espertinho ? Espera um pouco. Kian, porque você não entrou ainda na roda ?

KIAN – Se vocês acham que vou encostar meus beiços nos dos outros, podem me esquecer....Ainda se fosse nos da Iris.

KAIO – É bom você esquecer disso. Nem eu beijei a Iris ainda...

VALDO – Espero que ninguém beije a Iris, quero dizer, ninguém vai beijar ninguém, Só olhar, olhos nos olhos, certo ?

KAIO – Estou gravando. Isso, todos contando juntos, você também Kian. Quando chegar a cinco todos abrem os olhos. Vamos lá! ( canta em forma de rap)

um, dois, três, quatro

(Cada um canta em forma de rap um número ) – um, dois, três, quatro, cinco ...


TODOSJÁ ! Abrir os olhos !

KAIO – Ei, Todo mundo disse “Já “ e todo mundo ficou de olhos fechados ! Por que ? Vamos se olhem sem medo! Vamos de novo!

(Todos cantam em forma de rap )

TODOSum, dois, três, quatro, cinco ...

Abrir os olhos ! JÁ !


KAIO - Agora sim ! Estou olhando a Iris e o Valdo se olharem. Isso ! Vão abrindo os olhos...Abelardo, Juvenal, vão se olhando, Kian, Mas cuidado ! Devagar!

KIAN - Ai, me acudam, estou ficando tonto !

ABELARDO – Quieto, Kian. Isso acontece porque nossos pescoços não estão acostumados.

JUVENAL – Acho que estamos todos ficando tontos. É uma viagem, viva !

IRIS – Segurem as mãos uns dos outros. Ainda bem que estamos todos em roda de mãos dadas. Desse jeito ninguém cai.

ABELARDO – UAUUUUUUU! Melhor que qualquer droga !

JUVENAL – Agora vamos nos aproximar, vamos fechar a roda !

KIAN – Mas sem se tocar. Não quero beijos dos beiços de vocês!

KAIO – Estou gravando vocês. Agora para trás de novo. Isso, girando, mas devagar. Gira, gira roda, gira!

TODOS – Para o centro ! UAUUUU! Para fora ! UAUUUUU ! Para a direita ! UAUUUUU ! Para a esquerda ! UAUUUUU!

IRIS – CHEGA GENTE! NÃO AGUENTO MAIS TANTA EMOÇÃO. QUERO DESCANSAR!

VALDO – Vou me deitar aqui na grama para recuperar o fôlego.

JUVENAL – Eu também ! Vejam! Olhar as nuvens parece ser tão diferente neste momento....

ABELARDO – Porque nós somos diferentes dos outros de agora em diante....

IRIS – Fizemos tudo o que é velho ficar novo de novo !

KAIO – Sabem o que vou fazer ! Vou levar esta gravação para ser mostrada para todos !

TODOS – UAUUUU!

KIAN – NADA DISSO ! Vamos nos expor e a Sônia vem caçar a gente!

VALDO – Precisamos mostrar para todos o que fizemos!

IRIS – Vamos mostrar que Não fazer o que é proibido é bobagem !

JUVENAL – Não vamos recuar...Não há caminho de volta ! Depois de agora quem de nós vai querer viver como era antes ?

IRIS – Eu não posso voltar mesmo e nem quero nunca mais e quero beijar a toda hora o Valdo, quer dizer, as pessoas. Mas onde vamos viver ?

KAIO – Vamos viver com todo mundo. Todos vão ver o vídeo e vão experimentar e não vai ter como o outro lado impedir !

KIAN – PAREM DE SONHAR ! Melhor só a gente viver aqui em comunidade. Já somos diferentes dos outros. Os do outro lado são mais fortes que nós. Nem vão deixar que a gente mostre a gravação.

VALDO – O Kian tem razão. Não podemos nos expor todos. Proponho que o Kaio mostre apenas a primeira parte, onde apareço beijando a Iris.

IRIS – Isso mesmo. Quando eu beijo o Valdo . Afinal de contas, nós dois já estamos marcados mesmo.

ABELARDO – Eu também concordo. E sabem por que ?

IRIS – Não sei, Abelardo. Mas estamos esquecendo a fusão e vamos perder a produção das superfícies.

ABELARDO – Não se preocupe. Já vamos lá cuidar do forno. O que eu quero dizer é que os do outro lado não conhecem nosso esconderijo aqui junto do reator atômico. Então cada pessoa que assistir o vídeo e experimentar nós damos um jeito de trazer para fazer parte da nossa comunidade.

JUVENAL – Foi bom falar na fusão, Iris, pois tive uma idéia. Se fizermos uma superfície reflexiva bem grande, vamos poder derrotar os do outro lado.

KIAN – Não acredito nisso. Eles são mais fortes do que nós !

VALDO – Mas vamos levar a superfície reflexiva gigante virada para eles.

KIAN - E o que adianta isso ?

VALDO – Eles não vão querer ver seus rostos refletidos e nós avançamos !

ABELARDO - Assim vamos chegar ao local de transmissão para mostrar o vídeo.

JUVENAL – Eu vou levar o vídeo. Os outros ficam aqui. Não devem se arriscar.

IRIS – Juvenal, eu vou levar. Esqueceu que você não foi reconhecido ?

KAIO – Mas eu trabalho lá. Sei como entrar na sala de transmissão. Vou lá sozinho.

VALDO – Mas a superfície gigante deve ficar pesada! Sozinho não pode carregar. Eu vou junto.

ABELARDO – Mas é muito pesado para um apenas. Vai precisar de dois para isso !

IRIS – Abelardo, você não pode ir. Ninguém também conhece você e eles não devem saber o que você está fazendo. Então sou eu que vou junto com o Valdo. E chega de conversa. Agora é a hora de ação. Vamos fazer essa superfície gigante !.

TODOS - UAUUUUU

Cena 12 - Bem acima da caverna, no alto da montanha, o esconderijo !





IRIS – Juvenal, este é o Valdo. Valdo, este é o Juvenal, aquele é o Abelardo.


JUVENAL – Mais um para nossa turma, Iris ?


IRIS – E esse é um dos mais ativos !


JUVENAL – Seja bem vindo ao grupo dos jovens rebeldes !


VALDO – Obrigado, eu sou um jovem rebelde mesmo !


ABELARDO – Veio ajudar a gente ?


VALDO – Vim, sim. Para mudar tudo o que é irracional ! Iris, e quem é aquele mexendo naquela coisa lá ?


IRIS – Kian, venha aqui conhecer o Valdo !


KIAN – Daqui a pouco eu vou ! Agora não posso parar ! Está quase no ponto.


ABELARDO – Trouxe a fórmula para calcular o tempo para fusão dos elementos ?


IRIS – Trouxe. Está aqui. E sabem quem conseguiu ? Este rapaz.


ABELARDO – Mas o rolo com a fórmula estava encaixotado. Como ele conseguiu?


IRIS - Já dava a fórmula como perdida pois não pude esconder o rolo antes de ser encaixotado.


KIAN – Não me diga que, de repente, me aparece o Valdo com ela ?


VALDO – Foi sem querer que isso aconteceu. Mas causei muita encrenca...


IRIS – É verdade ! Por causa dele todos nós agora corremos perigo de sofrer a cirurgia. Ele viu o rolo com o rosto da moça sorrindo, já sabe da fórmula para fazer a superfície reflexiva e já se olhou!


JUVENAL – Como é isso ? “Todos nós agora corremos perigo” ? Nós não corremos perigo. Os do outro lado nada sabem de nós...


KIAN – Vai ver ele denunciou o nosso grupo para os do outro lado...


VALDO – Eu não denunciei ninguém! O que vocês estão fazendo ?


IRIS – Não denunciou, Kian. Aqui está a fórmula para você saber o tempo exato de cada elemento.


KAIO – A situação da Iris e a minha é diferente de vocês.


ABELARDO – Por que haveria de ser diferente de nós ?


IRIS – Porque a Supervisora e o Mutt sabem que estive com o Valdo.


KAIO – E os meus colegas jornalistas não sabem onde estou.


VALDO – Eu fiz uma pergunta. Por que ninguém me responde ?. O que vocês estão fazendo ?


ABELARDO – Se qualquer um de vocês for pego pela Oficial ou pela Supervisora, podemos ser torturados.


KIAN – E denunciar todo mundo! Amigos, ninguém mais está seguro!


VALDO – Mesmo torturado eu não vou denunciar nenhum de vocês, podem acreditar!


KAIO – Você não sabe nada de tortura! Se eles quiserem você denuncia até a sua própria matriz!


VALDO – A minha matriz! Coitada, já deve estar sendo torturada. Os alunos dela...


IRIS – Valdo, esqueça o passado senão vamos morrer de medo todos nós...Precisamos sonhar com o futuro !


JUVENAL – E vamos ficar aqui esperando sentado chegar esse futuro, Iris ?


VALDO – Será que dá para um de vocês explicar o que é isso que vocês estão fazendo aqui nesse caldeirão ?


ABELARDO – Tira a mão daí. Vai se queimar. São mais de 500 graus de temperatura!


KIAN - Estamos fundindo várias materiais nele.


KAIO – De acordo com a fórmula que a Iris trouxe e você já viu, fundindo os elementos podemos produzir superfícies reflexivas.


VALDO – Que elementos são esses ?


KIAN – Não podemos falar quais são


IRIS – Por que não podemos falar, Kian ?


KIAN – Se ele for torturado vai dizer quais são esses elementos.


VALDO – Podem me torturar o quanto quiserem nunca vou revelar!


JUVENAL – Não pode contar para ninguém que os elementos são os mesmos usados para criar a energia neste satélite


ABELARDO - Mas Iris, responda, por favor, o que vamos fazer daqui para a frente ?


IRIS – Proponho que a gente vá até as últimas consequências...


VALDO – Isso mesmo! Eu quero saber tudo o que está proibido. Por que não nos olhamos, o que pode acontecer se a gente se olhar...


KAIO – Você é o único aqui de nós que já viu outro rosto de frente. Como se sentiu ?


VALDO – Tontura! Quando minha matriz me olhou de frente, diretamente, olhos dela nos meus olhos, pensei que fosse desmaiar de tão tonto que fiquei.


IRIS - E a professora Vera, sua matriz, como se sentiu ?


VALDO - Ela falou que estava tonta também. Mas isso é muito pouco. Quero descobrir mais. Quero saber o que é o sorriso, aonde ele leva a gente.


ABELARDO - Vamos com calma. Precisamos de um plano.


KIAN – Vou parar de fazer esta fusão. Vou abandonar tudo isto. Caiam na realidade, companheiros. Não temos mais futuro. Vamos ser descobertos. O que adianta saber fazer superfícies ? Apenas para ficarmos vendo nossos rostos refletidos, em algum canto escondido ?


IRIS – Nada de desespero, Kian. Aí a situação fica pior ainda. Vamos continuar o processo de fusão. Precisamos que todos tenham suas pequenas superfícies!


KIAN – E vamos fazer o que com esses objetos que podemos produzir ? Cada de nós vai ficar vendo o próprio rosto até os do outro lado nos localizarem ?


VALDO – Não quero ver apenas o meu rosto ! Quero ver o rosto da Iris, quer dizer, de cada um de vocês.


KIAN – Saia de perto de mim ! O meu você não vai ver! Não quero sentir tontura e não sei o que vai acontecer depois.


IRIS – Mas a gente precisa experimentar! Ver o que acontece, ver as reações...


KAIO - Essa é a cientista falando...Mas eu já vi os rostos pela objetiva da câmara e não fiquei tonto.


VALDO – Eu vi a imagem da moça sorrindo e também não fiquei tonto...


JUVENAL – Vamos agir! Quem vai ser a cobaia ? Quem daqui de nós vai olhar o outro.


IRIS – Eu quero ser olhada.


VALDO – Eu quero olhar a Iris !


KAIO – Eu também quero ver o rosto da Iris !


VALDO – Mas é melhor você não olhar a Iris !


KAIO – E por que não posso ? Por acaso só você pode olhar o rosto dela ?


IRIS – CHEGA DE DISPUTA. EU VOU ESCOLHER QUEM ME VAI ME OLHAR !


VALDO – E também quem você vai olhar, não é ?


IRIS – Isso mesmo ! Você, Kaio...


VALDO – O Kaio, ai, que azar o meu...


KAIO – UAUUUUUUU! Decisão muito acertada !


IRIS – Calma! Vocês não me deixam falar ! Por que não são mais inteligentes ? Este momento vai ser muito importante para todos nós, não e ?


ABELARDO – É muito importante, gente! Seria muito bom se um momento como esse pudesse ser registrado, guardando muito bem as imagens !


KAIO – Eu posso fazer isso, com a minha câmara ! UAUUUU, posso gravar esse olhar da Iris, com , com ...com ...Ah! Não !


IRIS – Meu olhar com o Valdo, e o Valdo com o meu olhar !


KAIO – Que seja assim. Ei, o que estão esperando. Fiquem aqui, na frente da câmara. Isso, um de frente para o outro. Já !




quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Cena 11 - PARA CIMA, PARA O ALTO, VAMOS FUGIR

OPERADOR – Iris, abra logo. Não posso ficar muito tempo...

IRIS – QUEM ESTÁ AÍ MURMURANDO...

OPERADOR – KÁIO, ANDA LOGO !

IRIS – Ai que bom. É o Kaio. VAMOS! ENTRA...

KAIO – Por que demorou ? Desculpe, pensei que estava sozinha...Volto depois...

IRIS – Nada disso, boboca. Venha aqui e me dê um abraço.

VALDO – Um abraço nele ? Iris, quem é esse ?

KAIO – Iris, quem é esse aí ?

IRIS – Kaio, este é o Valdo, não precisa se preocupar com ele. Valdo, este é o Kaio,um grande amigo meu, não precisa ficar com ciúme, viu ?

KAIO – Por que não devo me preocupar com ele ?

IRIS – Porque ele sabe da imagem, sabe da superfície...

VALDO – QUIETA MOÇA! Por que está falando essas coisas minhas para ele ?

IRIS – Diga, Valdo, o que o Kaio tem na mão ?

VALDO – Uma câmara ! Estamos perdidos. Ele é da imprensa e vai nos denunciar, Iris!

KAIO – Deixa de tremer, rapaz. Não vou denunciar ninguém! Sou o operador desta câmara...

IRIS – E ele vê as pessoas por aqui...

VALDO – Pela objetiva ! Vê o rosto das pessoas ?

IRIS - Assim como você viu a imagem da moça, como viu seu rosto...

KAIO – Você mostrou a superfície reflexiva para ele ?

IRIS – Mostrei sim. Estamos todos do mesmo lado.

KAIO – Mas o outro lado vem vindo aí !

IRIS – Esqueci da Supervisora ! Precisamos sair daqui!

KAIO – Os jornalistas eram para vir. Mas estão demorando demais. Vinham entrevistar o Sábio Mutt e você!

VALDO – Vem vindo todo mundo do outro lado! Precisamos fugir! Mas para onde: ?

(IRIS cantando em forma de rap)

para cima, para o alto, vamos fugir. para o reator nuclear

(KAIO cantando em forma de rap)

vamos nos abrigar no esconderijo dos jovens!
para a montanha, para trás dos montes de minerais, onde os do outro lado nunca vão!


(IRIS e KAIO cantando em forma de rap)

vamos fugir! vamos nos abrigar longe das pessoas das cavernas!
longe de tudo! que é velho! que é absurdo! como não poder ver nosso próprio rosto, pentear nossos cabelos ! onde podemos sorrir!


VALDO - (cantando em forma de rap)

Sorrir ...sei lá o que é sorrir

KAIO - (cantando em forma de rap)

Sorrir é abrir a boca, separar os lábios, mostrar
os dentes bem brancos, ser feliz!


( cantam em forma de rap os três juntos )

Ser feliz é abrir a boca, separar os lábios,
mostrar os dentes brancos, é sorrir!


OFICIAL – ( de fora ) SUPERVISORA, OUÇA TEM VOZES FALANDO VERSOS

SÁBIO MUTT – VERSOS SEM RIMA ESTÃO QUASE CANTANDO...AÍ DENTRO !

LEDA – SONIA, VAMOS PRECISAR INVADIR ESSE LUGAR. MUTT É AQUI MESMO ?

TENENTE – SE VAMOS INVADIR ENTÃO PODE DEIXAR COMIGO !

SÁBIO MUTT – ESTÃO AQUI DENTRO, SUPERVISORA.

( os três jovens cantam em forma de rap )

PARA CIMA, PARA O ALTO, VAMOS FUGIR
Para cima, para o alto, vamos fugir
Para cima, para o alto, vamos fugir
Para cima, para o alto, vamos fugir


( os três saem por outra porta)

Cena 10 - Namorando sem olhar !

IRIS - Supervisora ? Preciso ser rápida. Onde está a minha superfície reflexiva ?Acho que está por aqui. (cantando em forma de rap)

creio que conheci alguém corajoso ! alguém inteiro como eu !
para me levar longe dessas rotinas e da mesmice
de todos os dias ! vamos ter uma vida a dois,
como casal nenhum já viveu !
mas o meu parceiro nessa aventura está me esperando.
vamos pois, eu e você, minha pequena superfície reflexiva,
refletir novas regras! meu cúmplice ! me aguarde ! vamos fazer novas
todas as coisas ! vamos refletir as falsidades...


VALDO – ( de fora ) IRIS! IRIS !

IRIS – Na hora de sair ! Quem será que está aí fora ? Impossível que a Supervisora já tenha chegado...QUEM ESTÁ AÍ ?

VALDO – ( de fora ) SOU EU !

IRIS - Claro que é ele. Só pode ser ele, para responder assim! VALDO , ENTRA LOGO! Onde você estava ?

VALDO – Eu me escondi atrás do monte de areia. Logo que o Mutt saiu da casa eu voltei.

IRIS – Por que voltou ?

VALDO – Não sabia onde ir e queria estar com você...

IRIS – Isso é muito bom pois também gosto de estar com você. Sabe o que é isso ?

VALDO – Claro que sei!

IRIS – Você sabe ? Não é possível você saber !

VALDO – Não é possível eu saber ? Então não sei ! Mas parece um pequeno círculo de metal com um suporte para segurar, conforme você está fazendo...

IRIS – Claro que é tudo isso. Más é muito mais. Tem este outro lado do círculo. Sabe o que tem nesse lado ?

VALDO – Como vou saber ? Só você virar para o meu lado...

IRIS – E eu vou fazer isso e sabe o que vai acontecer ?

VALDO – IRIS, pare com isso! Está me matando de curiosidade ! Vamos logo !

IRIS – Você vai ficar tonto, tonto, tonto...

VALDO – Deixa eu ver...Ai ! Estou tonto mesmo. Vira isso para lá! Não quero olhar mais...

IRIS - Isso é a minha pequena superfície reflexiva !

VALDO – A superfície reflexiva ! A que você roubou ! Então ela refletiu meu rosto ? Meu rosto! Então aquele era o meu rosto ? Que rosto mais peludo !

IRIS – Peludo, claro, não pode se ver para arrumar essa barba .

VALDO - Quanto tempo eu esperei por esse momento. Quero ver mais, Iris !

IRIS – Mas pediu para virar para mim...então não mostro mais...fica tonto....

VALDO – Deixa de me atormentar. Deixa eu ver, me dá aqui, vai ! Que cabelo despenteado, tão diferente do seu! Meus olhos, meus olhos são azuis, minha boca...

IRIS - Seus olhos devem ser lindos! Neles verei os meus ! Seus lábios feitos para beijar !

VALDO – De novo isso ! Beijar ! O que é isso !

IRIS – Quieto, tem gente aí fora...QUEM ESTÁ AÍ. Me dá a pequena superfície, preciso esconder. Você também tem que se esconder. Mas onde ? Ai, Também eu preciso me esconder! Pode ser a Supervisora e o Mutt! Mas como chegaram tão depressa !