sábado, 15 de setembro de 2007

Cena 12 - Bem acima da caverna, no alto da montanha, o esconderijo !





IRIS – Juvenal, este é o Valdo. Valdo, este é o Juvenal, aquele é o Abelardo.


JUVENAL – Mais um para nossa turma, Iris ?


IRIS – E esse é um dos mais ativos !


JUVENAL – Seja bem vindo ao grupo dos jovens rebeldes !


VALDO – Obrigado, eu sou um jovem rebelde mesmo !


ABELARDO – Veio ajudar a gente ?


VALDO – Vim, sim. Para mudar tudo o que é irracional ! Iris, e quem é aquele mexendo naquela coisa lá ?


IRIS – Kian, venha aqui conhecer o Valdo !


KIAN – Daqui a pouco eu vou ! Agora não posso parar ! Está quase no ponto.


ABELARDO – Trouxe a fórmula para calcular o tempo para fusão dos elementos ?


IRIS – Trouxe. Está aqui. E sabem quem conseguiu ? Este rapaz.


ABELARDO – Mas o rolo com a fórmula estava encaixotado. Como ele conseguiu?


IRIS - Já dava a fórmula como perdida pois não pude esconder o rolo antes de ser encaixotado.


KIAN – Não me diga que, de repente, me aparece o Valdo com ela ?


VALDO – Foi sem querer que isso aconteceu. Mas causei muita encrenca...


IRIS – É verdade ! Por causa dele todos nós agora corremos perigo de sofrer a cirurgia. Ele viu o rolo com o rosto da moça sorrindo, já sabe da fórmula para fazer a superfície reflexiva e já se olhou!


JUVENAL – Como é isso ? “Todos nós agora corremos perigo” ? Nós não corremos perigo. Os do outro lado nada sabem de nós...


KIAN – Vai ver ele denunciou o nosso grupo para os do outro lado...


VALDO – Eu não denunciei ninguém! O que vocês estão fazendo ?


IRIS – Não denunciou, Kian. Aqui está a fórmula para você saber o tempo exato de cada elemento.


KAIO – A situação da Iris e a minha é diferente de vocês.


ABELARDO – Por que haveria de ser diferente de nós ?


IRIS – Porque a Supervisora e o Mutt sabem que estive com o Valdo.


KAIO – E os meus colegas jornalistas não sabem onde estou.


VALDO – Eu fiz uma pergunta. Por que ninguém me responde ?. O que vocês estão fazendo ?


ABELARDO – Se qualquer um de vocês for pego pela Oficial ou pela Supervisora, podemos ser torturados.


KIAN – E denunciar todo mundo! Amigos, ninguém mais está seguro!


VALDO – Mesmo torturado eu não vou denunciar nenhum de vocês, podem acreditar!


KAIO – Você não sabe nada de tortura! Se eles quiserem você denuncia até a sua própria matriz!


VALDO – A minha matriz! Coitada, já deve estar sendo torturada. Os alunos dela...


IRIS – Valdo, esqueça o passado senão vamos morrer de medo todos nós...Precisamos sonhar com o futuro !


JUVENAL – E vamos ficar aqui esperando sentado chegar esse futuro, Iris ?


VALDO – Será que dá para um de vocês explicar o que é isso que vocês estão fazendo aqui nesse caldeirão ?


ABELARDO – Tira a mão daí. Vai se queimar. São mais de 500 graus de temperatura!


KIAN - Estamos fundindo várias materiais nele.


KAIO – De acordo com a fórmula que a Iris trouxe e você já viu, fundindo os elementos podemos produzir superfícies reflexivas.


VALDO – Que elementos são esses ?


KIAN – Não podemos falar quais são


IRIS – Por que não podemos falar, Kian ?


KIAN – Se ele for torturado vai dizer quais são esses elementos.


VALDO – Podem me torturar o quanto quiserem nunca vou revelar!


JUVENAL – Não pode contar para ninguém que os elementos são os mesmos usados para criar a energia neste satélite


ABELARDO - Mas Iris, responda, por favor, o que vamos fazer daqui para a frente ?


IRIS – Proponho que a gente vá até as últimas consequências...


VALDO – Isso mesmo! Eu quero saber tudo o que está proibido. Por que não nos olhamos, o que pode acontecer se a gente se olhar...


KAIO – Você é o único aqui de nós que já viu outro rosto de frente. Como se sentiu ?


VALDO – Tontura! Quando minha matriz me olhou de frente, diretamente, olhos dela nos meus olhos, pensei que fosse desmaiar de tão tonto que fiquei.


IRIS - E a professora Vera, sua matriz, como se sentiu ?


VALDO - Ela falou que estava tonta também. Mas isso é muito pouco. Quero descobrir mais. Quero saber o que é o sorriso, aonde ele leva a gente.


ABELARDO - Vamos com calma. Precisamos de um plano.


KIAN – Vou parar de fazer esta fusão. Vou abandonar tudo isto. Caiam na realidade, companheiros. Não temos mais futuro. Vamos ser descobertos. O que adianta saber fazer superfícies ? Apenas para ficarmos vendo nossos rostos refletidos, em algum canto escondido ?


IRIS – Nada de desespero, Kian. Aí a situação fica pior ainda. Vamos continuar o processo de fusão. Precisamos que todos tenham suas pequenas superfícies!


KIAN – E vamos fazer o que com esses objetos que podemos produzir ? Cada de nós vai ficar vendo o próprio rosto até os do outro lado nos localizarem ?


VALDO – Não quero ver apenas o meu rosto ! Quero ver o rosto da Iris, quer dizer, de cada um de vocês.


KIAN – Saia de perto de mim ! O meu você não vai ver! Não quero sentir tontura e não sei o que vai acontecer depois.


IRIS – Mas a gente precisa experimentar! Ver o que acontece, ver as reações...


KAIO - Essa é a cientista falando...Mas eu já vi os rostos pela objetiva da câmara e não fiquei tonto.


VALDO – Eu vi a imagem da moça sorrindo e também não fiquei tonto...


JUVENAL – Vamos agir! Quem vai ser a cobaia ? Quem daqui de nós vai olhar o outro.


IRIS – Eu quero ser olhada.


VALDO – Eu quero olhar a Iris !


KAIO – Eu também quero ver o rosto da Iris !


VALDO – Mas é melhor você não olhar a Iris !


KAIO – E por que não posso ? Por acaso só você pode olhar o rosto dela ?


IRIS – CHEGA DE DISPUTA. EU VOU ESCOLHER QUEM ME VAI ME OLHAR !


VALDO – E também quem você vai olhar, não é ?


IRIS – Isso mesmo ! Você, Kaio...


VALDO – O Kaio, ai, que azar o meu...


KAIO – UAUUUUUUU! Decisão muito acertada !


IRIS – Calma! Vocês não me deixam falar ! Por que não são mais inteligentes ? Este momento vai ser muito importante para todos nós, não e ?


ABELARDO – É muito importante, gente! Seria muito bom se um momento como esse pudesse ser registrado, guardando muito bem as imagens !


KAIO – Eu posso fazer isso, com a minha câmara ! UAUUUU, posso gravar esse olhar da Iris, com , com ...com ...Ah! Não !


IRIS – Meu olhar com o Valdo, e o Valdo com o meu olhar !


KAIO – Que seja assim. Ei, o que estão esperando. Fiquem aqui, na frente da câmara. Isso, um de frente para o outro. Já !




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