domingo, 2 de dezembro de 2007
Cena 17 - O heroi fracassa...fim
DOUTOR – (canta em forma de rap)
Ai ! Não me chute mais, Maninha ! NÃO MANINHA !
Sua bota vai furar minha barriga!
Não...Supervisora ? ..ai! Por favor, pare de me chutar !
LEDA - E você, Valdo! Pare com isso!
VALDO – (canta em forma de rap)
sugando meu ar. Seus lábios me suspendem no espaço,
o mar balança nossos corpos, as ondas...
ai !
LEDA – Pare imbecil! Você está destruindo todo mundo, não percebe? é doente e quer todo mundo doente também!
VALDO – Estou com muita sede. Supervisora, que horas são? Por favor me diga, faz muito tempo que estou aqui ?
LEDA - Faz muito tempo sim. E daí, vamos ficar aqui o tempo necessário para você delatar onde estão seus companheiros!
VALDO - Supervisora! Supervisora! Estou com muita sede. Meus braços estão doendo de tanto ficar amarrado. Me liberte daqui! Não agüento mais....
LEDA – Esquece a dor. Pense nas coisas boas...o sexo... me deseja muito...não ?
VALDO – Continue com seus dedos nos meus lábios! Preciso beijar, esquecer ....
LEDA - Já se esqueceu da Professora Vera?
VALDO - Professora Vera, minha Matriz !
LEDA - Das crianças da Escola ? dos Jornalistas ?
VALDO – Sei, SEI SIM ! Todos sofreram cirurgias! Transformaram todos em pós cirúrgicos ! Eles não podem mais sorrir! Não podem mais beijar!
LEDA - CHEGA DE FALAR DE SORRISOS, DE BEIJOS ! Não percebe que essas coisas atrapalham as pessoas?
VALDO – Não! Essas coisas não atrapalham não! O que atrapalha é a lei e a guardiã da lei ! É por isso que as pessoas são infelizes! Como eu aqui, morrendo de sede...
LEDA - Você é o culpado disso tudo! Manipulou os sentimentos, torceu os pensamentos deles! Deixou a ordem de lado! Pensou ser o maior de todos! Grande idiota! Arrependa-se, enquanto pode falar!
VALDO - Supervisora! Supervisora! Me liberte daqui! Não agüento mais....Um pouco de água...FAÇO O QUE QUISER MAS ME TIRA DAQUI!
LEDA - Depende só de sua vontade...Você sabe que precisa falar. Sabe que a Lei tem de ser cumprida! Quantos outros iguais a você estão cometendo essas imoralidades. Precisa dizer onde eles estão...TODOS OS NOMES, O LUGAR ONDE SE REUNEM !
VALDO – NÃO! Nunca! Eles não são responsáveis. Vão torturar, vão transformar esses infelizes que acreditaram em mim...
LEDA – Então vou torturar você ! Lembra que você também tentou me convencer ! Quantas vezes disse: "Leda, deixa eu ver seus lábios!" Verme infame, eu nunca deixei! NUNCA! Eu resisti! Resisti! Porque aqueles que não resistiram a seus apelos tem de escapar? Por que?
VALDO – Leda! Leda! Não quero ser um traidor! Mas não vou suportar a tortura. Me deixa escapar!
LEDA – Escapar! De jeito nenhum! já impregnou muitas pessoas com esses olhos! Até com esses lábios! O vírus está se alastrando...muitos, escondidos agora em suas casas, fazem esse ritual imundo que inventou. Quantos estão olhando agora seus rostos? E ainda que sair por aí! Nunca!
VALDO – Supervisora , por favor, me dê um pouco de água...depois eu faço o que quiser...
LEDA – O que eu quiser? Eu quero a Ordem! Quero saber onde conseguem os elementos para fazer a superfície reflexiva...
VALDO – Se você me der água, pode ser que eu conte...
LEDA – Prometo que se você contar sobre os elementos, eu mato sua sede ...
VALDO – Não vai esquecer disso , Leda ?
LEDA – Doutor, saia aí do chão e vá buscar um copo cheio de água. Água bem fresca, está bem ? (Doutor sai)
VALDO – Os elementos são os mesmos para gerar energia no reator. Você não vai poder acabar com eles !
LEDA – Então quero o esconderijo desses jovens, os nomes...a Lei tem que ser respeitada! Eu quero seus lábios...
VALDO – Meus lábios nos seus lábios ? Mas a Lei....
LEDA – Seus lábios na minha bota, imbecil! Quero você humilhado! Vencido! Derrotado! Só assim aceitará seu castigo como uma salvação. Você vai lamber minha bota para ficar livre de você mesmo!
VALDO – Meus lábios desejam os seus...não sua bota!
LEDA – A bota! Será rápido! Tudo acaba logo! Não queria água ? Doutor (entrando) traga aqui! Veja, estou derramando água na ponta da bota...
VALDO – Assim, não...não me controlo...
LEDA - é um fraco! Não pode resistir, veja minha bota, é sensual, não é? Vamos lambe ! Isso assim...até ficar brilhando...Chega !
VALDO - Sou um fraco...me deixa ficar lambendo essa bota...tenho sede ainda...Ai ! Machucou meus lábios!
LEDA – Viu? Foi fácil! Não foi? Agora pode falar dos desordeiros ! Isto me dá tesão. O sexo é bom, descarrega as tensões. Você gosta de sexo, Valdo ?
VALDO – Tem outra coisa melhor que o sexo...
LEDA - Não tem nada melhor. Que coisa pode ser melhor? Vamos, diga logo!
VALDO - Quer experimentar ? Se a supervisora for bem forte...agüenta!
LEDA – Sou mais forte que você! O que você quer que eu experimente ?
VALDO – Vai ter que me olhar nos olhos !
LEDA – SUPERVISORA, NÃO OLHE ! Pare com isso! Ele está procurando ganhar tempo para que seus companheiros voltem...
VALDO - Pensava que era forte! Mas não tem coragem de me olhar...! Se me olhar eu posso contar tudo!
LEDA - Tenho coragem sim! Dúvida?
VALDO - Vem me olhar então! Não vem, não é? FALSA !...se mostra forte mas é como eu!
LEDA – Quieto! Quero ver se você agüenta o MEU olhar ! Se não, vai fazer o que eu mando !
VALDO – Se não agüentar conto o que você quiser!
LEDA - Vê! Estou olhando ! Ainda acha que sou fraca ? Vê? Não está acontecendo nada para mim...seu rosto é bonito ...mas você está tremendo...
VALDO – De emoção. Tanto tempo querendo ver seu rosto, seus olhos, seus lábios...O que foi? Por que parou de me olhar ?
LEDA - ...um cisco no olho...
VALDO – Cisco no olho ?
LEDA – Que estranho ? Um cisco no olho !
VALDO – Volte a olhar, Leda...olhar acalma a gente..
LEDA – Supervisora ...a lei! Olha o tempo passando...
LEDA - Está fazendo esquecer meu dever, seu idiota ? Rápido, os nomes! Fizemos um trato !
VALDO – Os nomes, só sei de alguns...
LEDA – O esconderijo !.....Não vai dizer? Então não há alternativa ! DOUTOR ! ( sai)
LEDA – A cirurgia ! Até que enfim! ( cantando em forma de rap )
a cirurgia ! a cirurgia é a sua agonia !
VALDO – ( cantando em forma de rap )
não ! a cirurgia não ! eu conto onde estão...mas a cirurgia não !
LEDA – ( cantando em forma de rap )
a cirurgia ! a cirurgia é a sua agonia !
mas é a minha alegria ! o meu prazer !
VALDO – ( cantando em forma de rap )
Senhora não se vá ! Volte aqui ! Por favor ! eu conto ! se quiser ver
meus amigos vá até o reator ! senhora
não se vá ! senhora não se vá ! eu conto ! se quiser
meus amigos lá no reator ! Doutor, chame a senhora
de volta. Diga a ela não se vá ! senhora não se vá ! eu conto !
meus amigos estão lá. vá até o reator ! senhora
volte ! senhora não se vá ! eu conto ! se quiser
meus amigos vá até o reator ! senhora
não se vá ! senhora não se vá ! eu conto ! se quiser
FIM
Cena 16 - NA CAVERNA o local do interrogatório
OFICIAL – Pronto aí mais um embrulhado para presente. Prepare ele para o interrogatório.
DOUTOR – Para o interrogatório ? Que perda de tempo. Vamos logo para a cirurgia !
TENENTE – Oficial Sônia, se o Doutor fizer a cirurgia aí que ele não vai delatar os outros desordeiros.
OFICIAL – Cumpra as ordens da Supervisora ! Interrogatório, certo ? E vai ser bem demorado. Aumente a dose (saem ela e o TENENTE ).
DOUTOR – Muito bem! Vamos preparar o soro primeiro. O anestésico para a cirurgia deste jovem fica para depois. Vou usar esta solução pois gosto muito dela e posso fazer um pouquinho para meu uso pessoal.
VALDO – Ei você aí, me tire daqui..
DOUTOR – Já voltou a si ? Preciso aumentar a dose. Esse parece que se recupera muito rápido. E vou aumentar um pouquinho para mim, por que não ?
VALDO – Você é surdo ? Falei para me desamarrar...
DOUTOR – Meu rapaz, não dá para eu fazer isso. Vê esta seringa ? Tem aqui dentro um soro muito bom! Eu, particularmente, gosto muito dele. Tanto é que vou aplicar um pouco em você e um pouco em mim.
VALDO – Para que serve esse soro ? Você é medico ? O que vai fazer comigo ?
DOUTOR – Sou um médico, digamos, especial. Pois de tanto precisar cuidar dos meus amigos pacientes para o interrogatório, precisei, digamos, ficar também muito amigo deste soro.
VALDO – Que é isso ? Um doutor drogado não vai enfiar essa agulha em mim !
DOUTOR – Que é isso, digo eu ! Com medo de injeção ? Mas não se preocupe. Em você a dose vai ser maior, para durar mais. A minha é só para dar mais emoção no meu trabalho...
VALDO – Mas o que esse soro vai provocar em mim ? Ele vai me sedar para a cirurgia ?
DOUTOR – Nada disso. Ainda não é a cirurgia. É a fase do interrogatório. Este soro vai fazer você ficar mais cooperativo. Não tem nada a ver com a cirurgia, infelizmente. Ela é ótima. Sabe o que mais eu adoro ? Fazer cirurgias ! Você sabe como ê ?
VALDO – Não me conte pois deve ser a pior coisa que pode acontecer para alguém como eu..
DOUTOR – Assim como você como ? Para tudo mundo é muito bom !
VALDO – Mas para mim não é. Eu adoro ser como sou. Não quero sofrer nenhuma cirurgia e ficar como o pós cirúrgico lá na caverna. Não me conte nada sobre essa cirurgia !
DOUTOR – Então eu vou contar! Depois do sedativo, eu corto aqui atrás do pescoço...
VALDO – Ai! Tira essa mão gelada daí!
DOUTOR – Logo aqui tem um nervo. Está sentindo ? Dói bastante, não ? Pois eu faço uma secção nele e uma ligação com este outro nervo. E sabe o que acontece ?
VALDO – Não quero saber nada ! Solte minhas mãos para eu tampar os ouvidos !
DOUTOR - E daí em diante sua cabeça não consegue mais ficar firme. O seu queixo empurra sua cabeça para cima ou para baixo. Você nunca mais pode olhar para a frente.. Sabe por que ?
VALDO – Por favor, pare com isso, não quero ouvir nada !
DOUTOR – Que bom que posso contar então! Com esse nervo ligado a este outro aqui atrás qualquer tentativa de deixar o queixo na horizontal, causa uma dor danada ! Ah! Eu sofro tanto quando escuto os gritos dos pós cirúrgicos nos primeiros momentos !
VALDO – Então eles tentam olhar o rosto de alguém de frente ? Que horrível invenção!
DOUTOR – Não sei por que ninguém avisa a eles para não fazer isso que vai doer.
VALDO – Escuta, Senhor Doutor, eu não posso sofrer essa cirurgia. Então vamos fazer um acordo ?
DOUTOR – Um acordo ? Aqui só se cumpre os acordos da Supervisora. Se ela diz sim é sim. Se ela diz não é não ! Sabe o que ela disse hoje ?
VALDO – A meu respeito ? Não quero ouvir !
DOUTOR – Então não vou falar !
VALDO – Por favor, fale. Fale sim ! Foi alguma coisa a respeito da cirurgia ?
DOUTOR - Hoje ela me disse, com aquela voz forte: ( canta em forma de rap )
“Doutor, prepare este jovem
para o interrogatório.
Mas não se esqueça.
Tem que demorar bastante
para terminar
o efeito do soro “.
VALDO – QUERO SORO É ESSE ? VAMOS CONVERSAR PRIMEIRO !
DOUTOR – Conversar ? Só se for com ela. Ela manda e eu cumpro. Quando ela fala assim é por que tem um bom motivo...INFELIZMENTE, não é o bastante para fazer já a cirurgia.
VALDO – Ela vai me torturar ? Então não tem cirurgia ?...Mas depois de eu delatar meus amigos, vem a cirurgia, não é ?
DOUTOR - Gostaria de continuar nossa conversa tão amável. Mas preciso usar o seu braço e depois também o meu. Com licença, sou uma pessoa educada, sabe ? É uma delícia esse soro, não ? Está sentindo o sangue formigar ? Ainda não ? Não se preocupe. Ele começa lá no pé e vai subindo, subindo...até chegar na sua mente e então é uma alucinação, uma bela alucinação! Vamos contar juntos: um, dois, três, quatro...por que não está contando, meu rapaz ?
VALDO – Não vai adiantar a tortura. Pode dizer a supervisora que ela vai perder o tempo dela comigo. Não vou denunciar ninguém!
DOUTOR – Pelo que noto, a droga ainda não chegou a sua língua...não quer contar ? Não tem importância. Conto eu mesmo: doze, treze, catorze...
VALDO – Não vai adiantar nada me manter aqui. Meus amigos virão me libertar. .Estou ficando tonto. Mas é uma tontura diferente. Esta não me deixa feliz...
DOUTOR – Vinte e cinco, vinte e seis...para mim já está fazendo efeito...não posso continuar contando....
VALDO – Quem desligou a luz ?
DOUTOR – Ninguém desligou. É o começo do efeito. O choque. Agora você vai dar risada até sem motivo. Eu também...
VALDO – (canta em forma de rap)
LINDO, LINDO ! Estou voando, sobrevoando o mar, as ondas...chegando à praia ...
DOUTOR – Essa é a fase do delírio. Pena que dura pouco...
VALDO – (canta em forma de rap)
Vejo crianças brincando, parece que numa praia
olhando sempre para frente, olhando para longe...
DOUTOR – Pare de dar risada, meu rapaz. Está me atrapalhando...Essa droga é muito boa mesmo, não é ? Se não fosse não estaria viciado nela...MAS ME DÁ MUITA SEDE
(canta em forma de rap)
NESTE DESERTO ! Estou...me....arrastando...no...chão...
do...assoalho...da....sala de casa!
VALDO – (canta em forma de rap)
Agora as crianças fazem um castelo de areia.
As ondas vão e vem. E o castelo desaba...
DOUTOR - (canta em forma de rap)
Também eu fazia castelos mas eram de cartas
de baralho. Depois vinha minha maninha
e com um tapa destruía tudo!
VALDO – (canta em forma de rap)
É preciso que as crianças aprendam
a surfar. Nada de castelos! É preciso ser flexível.
Mudar com as ondas...
DOUTOR –(canta em forma de rap)
A malditinha me tirava as cartas....
depois punha as cartas como pedras de dominó
uma perto da outra e depois aquela mãozinha
gorda derrubava a primeira, e a primeira
derrubava sozinha a segunda...
VALDO – (canta em forma de rap)
Para não morrer no fundo do mar
é necessário surfar...para não morrer
debaixo das botas pretas dos seguranças
é necessário correr...
DOUTOR – (canta em forma de rap)
Até que tudo caia. E aí eu enchia
ela de pancada, mesmo que para isso
tivesse que ficar de frente para ela!
VALDO – de frente para ela? De frente? Então o Doutor via os lábios dela.
DOUTOR - Já acabou a minha alucinação ? Cada vez acaba mais depressa...preciso de outra dose...
VALDO – Você não me respondeu...Que sede que estou agora...quero água !
DOUTOR – Acabou a sua viagem também ? Preciso fazer sua dose mais forte...
VALDO – Você batia em sua maninha e olhava de frente para ela ? Vamos responde !
DOUTOR – Deixa de ser besta. Não via nada na raiva, não via nada! Pensa que sou como você? Um pervertido? Olhando esses rostos ? Essas partes proibidas? Vou lhe aplicar mais esta dose. Vamos, vá se preparando para falar...quantos iguais a você, estão metidos nisso? Não adianta esconder! ! E esta dose, adivinha para quem é ? Esta aqui é para mim....
VALDO - Não vou contar ! NÃO VOU CONTAR NADA ! Eles não são culpados! Eu sim, eu sou culpado! Envolvi eles todos!
DOUTOR – Então eles não queriam ficar naquelas posições? Não queriam, é? Mas ficaram ! Como você obrigou a eles, seu tarado?
VALDO – Eu não obriguei ninguém a nada! Eles viram que eu me abraçava, que eu tocava meus lábios, que eu sorria...Já ficou escuro de novo...
DOUTOR – Para! Para com isso! Não quero ouvir mais nada!
VALDO – (canta em forma de rap)
E era muito bom! Me sentia bem acariciando minha pele.
Pele com pele. E era melhor ainda acariciar outra pele
pele que não a minha!
DOUTOR – Para! PARA ! Cala a boca, seu sádico !
VALDO – (canta em forma de rap)
Era melhor que sexo! Era como um lago de águas tranqüilas!
DOUTOR – (canta em forma de rap)
Você também estava tão tranqüila !
Escuro, muito escuro...Maninha, maninha, não queria
te matar! Porque essa mãos gordinhas
desordenam tudo o que eu faço? Tira essa mãozinha
quente de cima de mim...Tira, não agüento mais!
VALDO – (canta em forma de rap)
Os lábios, os lábios! Entreabertos,
uma fileira de dentes brancos em cima.
Outra em baixo! Perfeitos, como um colar de pérolas!
Seus lábios no meus! Os meus beijam os seus!
Nossas salivas se misturando...
Cena 15 - NA CAVERNA o Centro de transmissão de TV
KAIO – Pode deixar. Isso tudo aqui conheço muito bem. Daqui uns vinte minutos essa reportagem vai ao ar. Enquanto isso eu saio sem que ninguém perceba.
VALDO – Eu e a Iris ajudamos você a sair, criando uma confusão na sala ao lado, certo ?
IRIS - Vamos então distrair os seguranças com nossa invenção, a super superfície reflexiva gigante !
ENQUANTO ISSO NA CAVERNA A ANTE SALA DO CENTRO DE TRANSMISSÃO DA TV...
OFICIAL - (voz vinda do fone) Não dá mais tempo...eles já estão perto daqui...já estão aqui....olhe, Supervisora, se olhar para eles eu mesmo me vejo na superfície reflexiva...! Supervisora...o que eu faço?
LEDA - (voz vinda do fone) Desvia o olhar, idiota! Arrebenta essa superfície! Você sabe que não podemos nos olhar! O que vai ser de nós sem a Lei? Anda ! Vá cuidar destes idiotas ! Mas não sejam violentas! Vou precisar deles!
VALDO - Até que enfim! Conseguimos! Não largue da superfície, Iris !
IRIS - Você é o meu líder! Nós vamos vencer!
VALDO – Iris, beijo agora não! Depois a gente faz isso. Vamos ficar atentos...
IRIS – Veja quem está atrás de você !
VALDO – Oficial Sônia !
OFICIAL – Vocês dois! Cabeças para baixo ! Tenho aqui do meu lado o Tenente e os Seguranças. Não tentem reagir!
IRIS – Mas Sônia, agora é a sua vez....
OFICIAL - Minha vez do que? Vira esse rosto para baixo!
IRIS - De olhar para o espelho. De ver a sua própria imagem!
OFICIAL - NUNCA!
VALDO - Olhe para o espelho, veja você mesma como é bonita!
OFICIAL – Não adianta me tentar. Eu não olho !
TENENTE - E agora os dois de costas para nós, apoiem-se na parede ! Acreditam que podem viver sem a Lei ?
VALDO - Vamos viver sem a Lei ! A vida é uma aventura, não prendam a vida pelas leis...
OFICIAL - Você está errado! A Lei dá segurança à vida! Evita o que não conhecemos, os erros!
IRIS – Vamos Tenente, vamos Oficial, aproveitem a superfície e vejam seus rostos...
TENENTE – Nem eu nem ela não queremos nos ver!
IRIS - Mas é preciso! Senão não há liberdade...
OFICIAL - NÃO VOU ME VER! SUA FÊMEA SEM VERGONHA! Você é fraca! Foi dominada por esse macho traidor!
TENENTE - E você, por que está traindo nosso povo? Tudo por causa dessa fêmea frágil?
IRIS – Oficial , nossos lábios vão lhe dar coragem...
OFICIAL - Meus lábios ? Nossos lábios ? Imbecil ! Não sabe que transmite o vírus ? E a má sorte ?
IRIS - Veja, Oficial, veja Tenente! Vamos Valdo, me beije ! Vê, o beijo não mata, une!
OFICIAL – Tenente ! O que está acontecendo ?
TENENTE – Ninguém olhe ! Vamos desgrudando um do outro já ! Seguranças! Venham aqui!
OFICIAL – Não saiam daí! Fiquem onde estão !
TENENTE – Mas Oficial precisamos deles aqui !
OFICIAL – Mas eles precisam guardar a porta para os dois não fugirem ! Eu ajudo você !
TENENTE – Não vai adiantar; só nos dois não vai adiantar. Segurança ! Ajudem aqui. Afastem o rapaz da moça. Mas cuidado com que ela está armada com a superfície que reflete a pessoa !
VALDO – Iris, me dê a superfície! Isso. Eu lhe dou cobertura....Agora fuja! FUJA !
IRIS – Não vou fugir. Vou lutar junto com você!
VALDO - FUJA IRIS ! É PRECISO QUE VOCE AVISE OS OUTROS E VENHAM LOGO ME LIBERTAR ! ( IRIS sai )
OFICIAL – SEGURANÇAS ! ATRÁS DELA ! E você está seguro comigo. VIRE ISSO PARA LÁ !
TENENTE - ! venha me ajudar!
OFICIAL – PRONTO OFICIAL ! A SUPERFÍCIE ESTÁ COMIGO !
TENENTE – E agora você não me escapa mais !
VALDO – Não quero escapar Sônia. Sabe o que eu quero ? Beijar você ! Beijar...Ai! sua animal!
OFICIAL – Essa bofetada é meu beijo especial para você ! Vamos, Tenente, me dê essa superfície.
TENENTE – Tome! O que você fazer ? Não! Não faça isso, Oficial ! E agora, como vai ser ? A Supervisora pediu para levar o prisioneiro em boa estado. Se não estiver inteiro, como ele vai delatar seus companheiros ?
OFICIAL – Ele vai ficar bem, não se preocupe. O que ficou mal foi a superfície reflexiva. A cabeça dele é tão dura que ela virou um monte de cacos. Me ajude a limpar os cacos daqui. Senão é capaz de alguém se ver neles.
LEDA – (voz vinda do fone) O que está acontecendo aí ?
OFICIAL – ( pelo fone ) Não se preocupe, Supervisora. Já agarramos o rapaz !
LEDA - (voz vinda do fone) – Não é isso que quero saber ! Estou falando da transmissão de TV nesse momento !
OFICIAL – ( pelo fone ) Não tem nenhuma transmissão de TV, Senhora !
LEDA - (voz vinda do fone) – Idiotas ! A TV está transmitindo um vídeo pornográfico. Andem logo ! Interrompam antes que mais pessoas vejam !
TENENTE – Pode deixar, Oficial , eu cuido disso !
OFICIAL – Ande logo. Ainda temos de levar este idiota para o DOUTOR ! Desmaiado ele fica mais pesado (sai o Tenente)
Cena 14 - NA CAVERNA - a reação policial
OFICIAL – (voz vinda do fone) Um momento, Supervisora! Estamos com problemas!
LEDA - Que problemas? Vamos, responda logo, quero saber que barulho todo é esse?
OFICIAL - (voz vinda do fone) Supervisora, seja firme! Já chamamos reforços!
LEDA - Fale logo ou você vai ver o que é ser firme!
OFICIAL - (voz vinda do fone) Senhora Leda! Jovens não identificados estão entrando no prédio da TV! Estou em contato permanente com a segurança na portaria!
LEDA - Mas o que está acontecendo! Por que estão fazendo isso ?
OFICIAL - (voz vinda do fone) Estão me informando, já entraram, ninguém sabe para onde foram! Eles olhavam os seguranças de frente! Estão desrespeitando a ordem...Nossos seguranças não puderam atacá-los !
LEDA – Por que não puderam ?
OFICIAL – (voz vinda do fone) Para atacar têm de olhar para uma superfície reflexiva ! Ela é enorme !
LEDA - Mande os seguranças se olharem na superfície reflexiva mas não deixem esses jovens ficarem ai !
OFICIAL - (voz vinda do fone) Mas Supervisora...
LEDA – Sônia ! Vamos acabar com essa desordem!
OFICIAL - (voz vinda do fone) Senhora , com todo o respeito mas nossos seguranças não vão olhar para a superfície !
LEDA - Você sabe o que significa a falta de ordem? Sabe? Sem ela não há estrutura, não há poder! SEM PODER NÓS DESAPARECEMOS! VOCE E EU SEREMOS NADA! ZERO! ANDA, VÁ CUMPRIR SEU DEVER!
OFICIAL – (voz vinda do fone) É por causa da ordem mesmo que eles não podem olhar ! Estão cumprindo ordens!
LEDA – Você quer que eu vá aí resolver esse problema ?