domingo, 2 de dezembro de 2007

Cena 17 - O heroi fracassa...fim

LEDA – Seu imprestável! Para que serve um doutor drogado ? Tome !

DOUTOR – (canta em forma de rap)

Ai ! Não me chute mais, Maninha ! NÃO MANINHA !

Sua bota vai furar minha barriga!


Não...Supervisora ? ..ai! Por favor, pare de me chutar !

LEDA - E você, Valdo! Pare com isso!

VALDO – (canta em forma de rap)

sugando meu ar. Seus lábios me suspendem no espaço,

o mar balança nossos corpos, as ondas...


ai !

LEDA – Pare imbecil! Você está destruindo todo mundo, não percebe? é doente e quer todo mundo doente também!

VALDO – Estou com muita sede. Supervisora, que horas são? Por favor me diga, faz muito tempo que estou aqui ?

LEDA - Faz muito tempo sim. E daí, vamos ficar aqui o tempo necessário para você delatar onde estão seus companheiros!

VALDO - Supervisora! Supervisora! Estou com muita sede. Meus braços estão doendo de tanto ficar amarrado. Me liberte daqui! Não agüento mais....

LEDA – Esquece a dor. Pense nas coisas boas...o sexo... me deseja muito...não ?

VALDO – Continue com seus dedos nos meus lábios! Preciso beijar, esquecer ....

LEDA - Já se esqueceu da Professora Vera?

VALDO - Professora Vera, minha Matriz !

LEDA - Das crianças da Escola ? dos Jornalistas ?

VALDO – Sei, SEI SIM ! Todos sofreram cirurgias! Transformaram todos em pós cirúrgicos ! Eles não podem mais sorrir! Não podem mais beijar!

LEDA - CHEGA DE FALAR DE SORRISOS, DE BEIJOS ! Não percebe que essas coisas atrapalham as pessoas?

VALDO – Não! Essas coisas não atrapalham não! O que atrapalha é a lei e a guardiã da lei ! É por isso que as pessoas são infelizes! Como eu aqui, morrendo de sede...

LEDA - Você é o culpado disso tudo! Manipulou os sentimentos, torceu os pensamentos deles! Deixou a ordem de lado! Pensou ser o maior de todos! Grande idiota! Arrependa-se, enquanto pode falar!

VALDO - Supervisora! Supervisora! Me liberte daqui! Não agüento mais....Um pouco de água...FAÇO O QUE QUISER MAS ME TIRA DAQUI!

LEDA - Depende só de sua vontade...Você sabe que precisa falar. Sabe que a Lei tem de ser cumprida! Quantos outros iguais a você estão cometendo essas imoralidades. Precisa dizer onde eles estão...TODOS OS NOMES, O LUGAR ONDE SE REUNEM !

VALDO – NÃO! Nunca! Eles não são responsáveis. Vão torturar, vão transformar esses infelizes que acreditaram em mim...

LEDA – Então vou torturar você ! Lembra que você também tentou me convencer ! Quantas vezes disse: "Leda, deixa eu ver seus lábios!" Verme infame, eu nunca deixei! NUNCA! Eu resisti! Resisti! Porque aqueles que não resistiram a seus apelos tem de escapar? Por que?

VALDO – Leda! Leda! Não quero ser um traidor! Mas não vou suportar a tortura. Me deixa escapar!

LEDA – Escapar! De jeito nenhum! já impregnou muitas pessoas com esses olhos! Até com esses lábios! O vírus está se alastrando...muitos, escondidos agora em suas casas, fazem esse ritual imundo que inventou. Quantos estão olhando agora seus rostos? E ainda que sair por aí! Nunca!

VALDO – Supervisora , por favor, me dê um pouco de água...depois eu faço o que quiser...

LEDA – O que eu quiser? Eu quero a Ordem! Quero saber onde conseguem os elementos para fazer a superfície reflexiva...

VALDO – Se você me der água, pode ser que eu conte...

LEDA – Prometo que se você contar sobre os elementos, eu mato sua sede ...

VALDO – Não vai esquecer disso , Leda ?

LEDA – Doutor, saia aí do chão e vá buscar um copo cheio de água. Água bem fresca, está bem ? (Doutor sai)

VALDO – Os elementos são os mesmos para gerar energia no reator. Você não vai poder acabar com eles !

LEDA – Então quero o esconderijo desses jovens, os nomes...a Lei tem que ser respeitada! Eu quero seus lábios...

VALDO – Meus lábios nos seus lábios ? Mas a Lei....

LEDA – Seus lábios na minha bota, imbecil! Quero você humilhado! Vencido! Derrotado! Só assim aceitará seu castigo como uma salvação. Você vai lamber minha bota para ficar livre de você mesmo!

VALDO – Meus lábios desejam os seus...não sua bota!

LEDA – A bota! Será rápido! Tudo acaba logo! Não queria água ? Doutor (entrando) traga aqui! Veja, estou derramando água na ponta da bota...

VALDO – Assim, não...não me controlo...

LEDA - é um fraco! Não pode resistir, veja minha bota, é sensual, não é? Vamos lambe ! Isso assim...até ficar brilhando...Chega !

VALDO - Sou um fraco...me deixa ficar lambendo essa bota...tenho sede ainda...Ai ! Machucou meus lábios!

LEDA – Viu? Foi fácil! Não foi? Agora pode falar dos desordeiros ! Isto me dá tesão. O sexo é bom, descarrega as tensões. Você gosta de sexo, Valdo ?

VALDO – Tem outra coisa melhor que o sexo...

LEDA - Não tem nada melhor. Que coisa pode ser melhor? Vamos, diga logo!

VALDO - Quer experimentar ? Se a supervisora for bem forte...agüenta!

LEDA – Sou mais forte que você! O que você quer que eu experimente ?

VALDO – Vai ter que me olhar nos olhos !

LEDA – SUPERVISORA, NÃO OLHE ! Pare com isso! Ele está procurando ganhar tempo para que seus companheiros voltem...

VALDO - Pensava que era forte! Mas não tem coragem de me olhar...! Se me olhar eu posso contar tudo!

LEDA - Tenho coragem sim! Dúvida?

VALDO - Vem me olhar então! Não vem, não é? FALSA !...se mostra forte mas é como eu!

LEDA – Quieto! Quero ver se você agüenta o MEU olhar ! Se não, vai fazer o que eu mando !

VALDO – Se não agüentar conto o que você quiser!

LEDA - Vê! Estou olhando ! Ainda acha que sou fraca ? Vê? Não está acontecendo nada para mim...seu rosto é bonito ...mas você está tremendo...

VALDO – De emoção. Tanto tempo querendo ver seu rosto, seus olhos, seus lábios...O que foi? Por que parou de me olhar ?

LEDA - ...um cisco no olho...

VALDO – Cisco no olho ?

LEDA – Que estranho ? Um cisco no olho !

VALDO – Volte a olhar, Leda...olhar acalma a gente..

LEDA – Supervisora ...a lei! Olha o tempo passando...

LEDA - Está fazendo esquecer meu dever, seu idiota ? Rápido, os nomes! Fizemos um trato !

VALDO – Os nomes, só sei de alguns...

LEDA – O esconderijo !.....Não vai dizer? Então não há alternativa ! DOUTOR ! ( sai)

LEDA – A cirurgia ! Até que enfim! ( cantando em forma de rap )

a cirurgia ! a cirurgia é a sua agonia !

VALDO – ( cantando em forma de rap )

não ! a cirurgia não ! eu conto onde estão...mas a cirurgia não !

LEDA – ( cantando em forma de rap )

a cirurgia ! a cirurgia é a sua agonia !

mas é a minha alegria ! o meu prazer !


VALDO – ( cantando em forma de rap )

Senhora não se vá ! Volte aqui ! Por favor ! eu conto ! se quiser ver

meus amigos vá até o reator ! senhora

não se vá ! senhora não se vá ! eu conto ! se quiser

meus amigos lá no reator ! Doutor, chame a senhora

de volta. Diga a ela não se vá ! senhora não se vá ! eu conto !

meus amigos estão lá. vá até o reator ! senhora

volte ! senhora não se vá ! eu conto ! se quiser

meus amigos vá até o reator ! senhora

não se vá ! senhora não se vá ! eu conto ! se quiser


FIM

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